A ansiedade é tão prejudicial à confiança quanto o pessimismo. Confiar e esperar estão no mesmo processo

Otimismo é visão positiva. É acreditar, com uma perspectiva favorável, que os próprios interesses serão satisfeitos. É ver sempre o lado bom das coisas; em outras palavras, enxergar somente o que se deseja ver.

Confiança é segurança, vem do latim fidere (ter confiança), que vem de outra palavra latina: Fides (também traduzida por fé, crédito).

Talvez um ato confiante envolva otimismo, mas será que confiança é apenas isso? Será que o principal inimigo da confiança é o pessimismo? Talvez não. Se o otimista é aquele que acredita que sua vontade será cumprida; o que confia em Deus acredita que todo o porvir será bom, perfeito e agradável, ainda que contrário a sua vontade (Rm 12:2).

Na bíblia, confiar e esperar muitas vezes são tidos como sinônimos:

“Na verdade, não serão confundidos os que esperam em ti;” Sl. 25:3

“e saberás que eu sou o SENHOR, que os que confiam em mim não serão confundidos.” Is. 49:23

Do mesmo modo, as palavras confiança e fé, que vêm da mesma palavra latina (fides), também caminham juntas. Logo, se confiar e esperar estão intimamente ligados, é natural que a fé não seja apenas a certeza das coisas que não se vêem, mas também o firme fundamento das coisas que se esperam (Hb 11:1).

Já sabemos agora que para confiar em Deus, poderemos estar sujeitos ao tempo, a esperar. Aí entra um grande problema: ansiedade. A antecipação, e a conseqüente angústia, são características de alguém ansioso. Antecipar e esperar parecem tão contraditórios quanto confiança e ausência de segurança.

Estima-se que a construção da Arca de Noé durou entre 3 e 100 anos. Calebe precisou de 45 anos para alcançar a terra prometida, e com as mesmas vestes e calçados que saiu do Egito. Moisés andou outros 40 no deserto, sem ter um resultado tão satisfatório. Jesus andou 40 dias no deserto sem comida (o que para mim é pior que os 40 anos de Moisés).

Quem confia em Deus é capaz de esperar, e quem não confia simplesmente não o conhece: “Em ti confiarão os que conhecem o teu nome” - Sl. 9:10. A ansiedade e preocupação não têm grande utilidade: “E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura?”- Mt. 6:27. A inquietação é típica de quem não tem em quem confiar: “Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? Porque todas estas coisas os gentios procuram” Mt. 6:31-32

Se você anda ansioso, está duvidando, implicitamente, do poder de Deus. A ansiedade põe coisas secundárias no centro de nossos pensamentos, tomando o lugar das principais, ou seja: Idolatria (substituir Deus por qualquer outra coisa)

Um bom remédio é colocar tudo diante de Deus: “…Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica…” Fl. 4:7. A conseqüência é simples: “…E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.” Fl 4:8. Mas não ache que apenas ao colocar suas petições diante de Deus a resposta virá automaticamente, pois a próxima fase será esperar.

E se no meio dessa história toda você precisar de um motivo pra não ficar ansioso, lembre-se disso: “Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” I Pd 5:7 “Entrega o teu caminho ao SENHOR; confia nele, e ele o fará” Sl. 37:5

Chega de achar que pensamento positivo é a solução dos problemas, que seu esforço racional resultará em confiança; pois a paz resultante da confiança excede todo o entendimento. E por último, lembre-se: ansiar(antecipar no pensamento) e esperar não combinam.