Reza o ditado popular, que, onde há fumaça, há fogo. Talvez quem criou o ditado não era nenhum físico, que observava o volatilidade de determinados elementos a certa temperatura; mas apenas alguém que, de tanto ver isso, fez uma conclusão lógica: Se sei que a fumaça só está presente onde também está o fogo; onde há fumaça, há também fogo.

Não tem a mesma lógica o que vamos ver agora, mas tente concluir: Se alguém crê em Deus como alguém que tudo pode fazer; que controla tudo; que é merecedor de completo respeito e reverência; que, apesar de misericordioso, nos julgará no fim dos tempos; então esse alguém que crê teme a Deus.

Na bíblia, tal lógica parece também se fazer presente. Fé e temor parecem caminhar de mãos dadas:

Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu e, para salvação da sua família, preparou a arca…” – Hb 11:7

Uma vez que vocês chamam Pai aquele que julga imparcialmente as obras de cada um, portem-se com temor durante a jornada terrena de vocês” – I Pd. 11:17

Por coincidência, o temor e a fé em Cristo tem efeitos parecidos:

Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna” Jo 6:47

O temor do Senhor é fonte de vida, para desviar dos laços da morte” Pv. 14:27

Agora, resta-nos claro que, onde há temor, há fé; e vice versa.

Jesus foi prova prática do amor de Deus pelos homens, e nos ensinou sobre esse amor, nos dando, inclusive, a possibilidade de sermos amigos de Deus(Jo 15:14); mas nem por isso excluiu sua autoridade: “E digo-vos, amigos meus: Não temais os que matam o corpo [...] temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno; sim, vos digo, a esse temei.”(Lc. 12:4-5). A regra do antigo testamento continua valendo: “O Senhor teu Deus temerás e a ele servirás” Dt. 6:13

Deus é Pai, mas também é Senhor. Só usamos a palavra senhor como mero pronome de tratamento, ou como resultado de nossa submissão a alguma pessoa. É por isso que “e ninguém pode dizer: Jesus é Senhor, a não ser pelo Espírito Santo” (I Cor 12:3); ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, com sinceridade, se não o tratar como tal. Senhor é quem é dono, manda e castiga. Ele é seu dono porque te comprou por alto preço (I Cor. 6:20); manda porque sua vontade é boa, perfeita e agradável (Rm 12:2); e castiga porque te ama (Hb 12:6).

Já temos alguns motivos para temermos a Deus, resta agora saber o que é temer a Deus.

O temor do Senhor não existe porque Ele quer nos aterrorizar, mas porque Ele nos quer por perto: “e porei o meu temor nos seus corações, para que nunca se apartem de mim.” Jr 32:40. O principal fruto do temor não é o medo propriamente dito, mas o reconhecimento de que somos apenas criaturas; por isso é natural que resulte em humildade: “O temor do Senhor é a instrução da sabedoria, e precedendo a honra vai a humildade.”. Vejamos outras características do temor:

  1. É método eficiente para desvio do pecado: “ pelo temor do Senhor os homens se desviam do pecado.” Pv. 16:6
  2. Aperfeiçoa a santificação: “…aperfeiçoando a santificação no temor de Deus.” II Cor 7:1
  3. Nele começa a verdadeira sabedoria “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria” Pv. 9:10

Talvez você se pergunte: Se Deus também é nosso amigo, porquê eu tenho que temê-Lo, se eu não temo meus amigos? Para responder sua pergunta, lembre-se: Quem tem um grande amigo, não tem medo dele, mas apenas o medo de perdê-lo. Logo, se você já tem um contato com o Deus vivo, seu temor não deve basear-se apenas no medo de condenação, mas no medo de perder a maior amizade que existe. É por isso que o verdadeiro amor lança fora o medo do castigo (I Jo 4:17:18)

O temor ao Senhor, é, desta forma, mais respeito do que medo. É nossa forma de dizer que estamos submissos, mesmo sabendo de toda a misericórdia de Deus. É nossa forma de amar a Deus, já que o temor é uma forma de guardar seus mandamentos, e quem O ama, os guarda (Jo 14:15).

Se você crê em Deus mas o pecado já não tem te incomodado; se praticar o mal já não te constrange, por ausência de temor a Deus; então está na hora de se arrepender disso, ou professar outra crença.